O hemerocális está cada vez mais longe do tradicional lírio-amarelo (hemerocallis flava), que fazia sucesso desde os tempos de Jesus e seu Sermão da Montanha.
“Olhai para os lírios do campo, como crescem; não trabalham nem fiam; contudo vos digo que nem mesmo Salomão em toda a sua glória se vestiu com um deles.” (Mateus, capítulo 6, versículos 28 e 29)
Hoje é possível encontrar centenas de híbridos com flores de cores e formatos diferentes.
É uma planta rústica que tem o auge da florada na primavera e no verão. Suas hastes florais têm entre 20 cm e 1,3 m de altura e proporcionam diferentes utilizações paisagísticas.
Arno Boettcher, da Roselândia, em Cotia/SP, foi o primeiro a lançar híbridos norte-americanos, em 1991. Depois que a Revista Natureza publicou uma reportagem sobre a iniciativa da Roselândia, o produtor catarinense Dario Bergemann, da Agrícola da Ilha, resolveu seguir os mesmos passos.
“Na minha região, só tínhamos lírios-amarelos e agapantos, azuis ou brancos”, conta Dario, que veio a São Paulo e comprou mudas de 11 variedades da Roselândia.
O produtor catarinense foi além e fechou uma parceria com Fernando Tombolato, do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), 1995. Naquela época, o pesquisador estava no meio do trabalho que traria ao mercado os 32 primeiros híbridos nacionais. Cinco anos depois, Dario e Fernando foram aos EUA comprar mais 120 híbridos da American Hemerocallis Society (AHS), que vão ser lançados nos próximos anos.
O QUE VEM POR AÍ
Estas 18 variedades são tão novas que ainda nem foram batizadas. Serão lançadas no mercado brasileiro a partir deste ano e, provisoriamente, são identificadas apenas por códigos.
Todo o resultado desse trabalho de busca e seleção começou a aparecer em 2001, com o lançamento de 27 variedades.
O número deve aumentar ainda este ano, quando serão lançadas as plantas apresentadas nesta reportagem.
O campo de produção da Agrícola da Ilha, em Joinville, SC, estampa o profissionalismo deste trabalho:
há 1,5 milhões de mudas, divididas em 27 lotes, de acordo com a variedade. A visão da plantação é inédita a cada dia de verão. Isso porque as flores do hemerocális duram pouco, tanto que nos EUA ele é conhecido como daylily, o “lírio de um dia só”.
É fácil montar um canteiro e fazer mudas de hemerocális
Como Plantar
Se você não quiser plantar suas mudas logo depois da compra, poderá esperar por até 5 dias, mantendo as plantas na sombra. Os hemerocális amarelos gostam de sol pleno, mas as variedades coloridas e mais escuras, se desenvolvem melhor se tiverem sombra parcial, nas horas mais quentes do dia.
1- Prepare a terra do canteiro, afofando bem. Para cada m2, acrescente 100g de esterco de galinha curtido e 150g de cinzas de casca de arroz. Se o solo for muito argiloso, use 250g de cinzas para deixar a terra mais aerada.
2- Se você não encontrar a cinza de casca de arroz, poderá substituí-la por areia de construção, na proporção de duas partes de areia para cinco partes de terra. Depois, espalhe 50g de adubo do tipo NPK 10-10-10 por m2 de canteiro.
3- Plante as mudas com 40cm de espaçamento em zigue zague. Em vasos, deixe com 20cm.
4- Espalhe casca de madeira ou serragem sobre o solo, para manter a umidade e impedir o surgimento de plantas daninhas.
5- Na primeira semana, regue todos os dias para facilitar o enraizamento. Depois, faça apenas uma rega semanal.
Como Reproduzir
O modo mais fácil de propagar o hemerocális é por divisão de touceiras, depois da florada, no final do verão.
1- Corte as folhas da touceira de hemerocális com uma faca. Em seguida, desenterre a planta com uma pá de corte.
2- Separe a touceira em duas partes iguais. Plante imediatamente ou lave a muda. Assim, ela pode ser armazenada por até 5 dias.
O Hemerocális em detalhes
Nome científico: Hemerocallis Hybrida
Nome popular: Hemerocális, hemerocale
Família: liliáceas
Origem: híbridos desenvolvidos principalmente nos EUA desde a década de 60
Porte: de 20 cm a 1,3 m
Solo: bem drenado e rico em matéria orgânica
Luz: sol pleno (amarelas) e meia-sombra (coloridas e escuras)
Clima: tropical e subtropical
Regas: semanais
Propagação: por divisão de touceiras
Fonte: Revista Natureza - Fevereiro de 2003.